Ao longo da história da humanidade, os fenómenos migratórios têm desempenhado um papel fundamental na formação das sociedades, das culturas e das civilizações. A migração, entendida como o deslocamento de pessoas ou de grupos de um território para outro, é um fenómeno antigo que acompanha o ser humano desde os seus primórdios. Desde as primeiras migrações dos grupos pré-históricos, em busca de alimento, melhores condições climáticas e segurança, até aos movimentos migratórios mais complexos da atualidade, a mobilidade humana tem sido uma constante.
Assim, os movimentos migratórios, passados e presentes, são essenciais para compreender a evolução histórica das populações e a construção do mundo contemporâneo, marcado pela diversidade cultural e pela interdependência entre os povos. Alguns dos exemplos mais relevantes de migrações incluem fenómenos antigos, como a expansão do Império Romano, entre outros, que provocou deslocações de populações, soldados e comerciantes, e exemplos mais recentes, como as migrações atuais, associadas a conflitos armados, desigualdades económicas e alterações climáticas. Um caso atual é o da Ucrânia, onde a guerra levou à deslocação de refugiados para países como a Polónia, a Alemanha, até mesmo para Espanha e Portugal.
É verdade que alguns fluxos migratórios têm sido polémicos ao longo da história e continuam a sê-lo na atualidade por várias razões interligadas, de natureza económica, social, política, cultural e de segurança. Este fenómeno, embora antigo, tem provocado debates e tensões nas sociedades de acolhimento. Do ponto de vista económico, os imigrantes são frequentemente vistos como concorrência no mercado de trabalho, especialmente nos sectores menos qualificados. Existe o receio de que contribuam para o aumento do desemprego ou para a redução dos salários. No entanto, muitas economias dependem fortemente da mão-de-obra migrante, sobretudo na agricultura e na construção.
Como já sabemos, os fluxos migratórios estiveram associados a guerras e invasões, que provocaram deslocações forçadas de populações e conflitos com os povos já instalados. A colonização e a escravatura também envolveram migrações forçadas e profundas desigualdades. Além disso, a escassez de recursos, como fomes e crises agrícolas, levou à competição entre populações locais e migrantes.
Na dimensão política, a migração é frequentemente utilizada como instrumento político, sobretudo por movimentos nacionalistas e populistas. Muitos políticos exploram o tema para mobilizar eleitores através do medo e da insegurança. A dificuldade em criar políticas migratórias comuns, como acontece na União Europeia, contribui para o agravamento do debate.
As razões sociais e culturais também desempenham um papel importante. As diferenças culturais, religiosas e linguísticas podem gerar medo da perda da identidade cultural, dificuldades de integração e convivência, bem como atitudes de preconceito, xenofobia e discriminação.
Por fim, as desigualdades globais e as causas históricas, como guerras, colonialismo, pobreza, alterações climáticas e instabilidade política, continuam a forçar milhões de pessoas a migrar. Muitos países que hoje recebem migrantes tiveram um papel histórico nas regiões de origem, o que torna esta questão eticamente complexa. Na atualidade, a polémica em torno dos fluxos migratórios resulta do conflito entre a necessidade de proteger os direitos humanos e a preocupação dos Estados em controlar fronteiras e recursos.
No que diz respeito aos jovens, estes podem (e devem) contribuir para a construção e manutenção de uma sociedade mais justa, integradora e democrática através da participação ativa na vida cívica, respeitando os outros, cumprindo os seus deveres e defendendo os direitos humanos. Ao envolverem-se em associações, voluntariado, debates e iniciativas comunitárias, desenvolvem um sentido crítico e solidário que promove a inclusão e a igualdade. Além disso, ao informarem-se com rigor, votarem quando têm esse direito e usarem as redes sociais de forma responsável, ajudam a fortalecer a democracia, criando um equilíbrio entre a liberdade individual e a responsabilidade coletiva.
Portanto, numa sociedade democrática e harmoniosa, a escola tem um papel fundamental na formação de cidadãos responsáveis. Para isso, alunos e professores devem assumir compromissos que promovam o equilíbrio entre direitos e deveres. Desta forma, os alunos devem respeitar os outros, cumprir as regras, participar de forma responsável na vida escolar e rejeitar qualquer forma de violência ou discriminação. Devem ainda cuidar dos espaços e materiais da escola, reconhecendo o seu valor colectivo, para que todos se sintam confortáveis e não sintam a necessidade de mudar para outro país. Os professores devem tratar todos os alunos com justiça, promover o pensamento crítico e incentivar a participação democrática, transmitindo valores como o respeito, a responsabilidade e a solidariedade; no entanto, os alunos também devem pensar pela sua própria cabeça e defender as suas ideias.
Em conjunto, alunos e professores da Escola Secundária Reino Aftasí, principalmente nós, o 1.º Bachillerato de Português Primeira Língua, acreditamos que devemos apostar no diálogo e na cooperação, criando um ambiente escolar seguro e inclusivo que contribua para uma sociedade mais justa e democrática. Este trabalho que partilhamos com todos vós, é um exemplo deste compromisso.
Artigo escrito por: Luis Cruz García, Abel Hernández, Hugo León, César Rodríguez, Unai Trevijano, Lucía Zambrano.




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