Os alunos da turma do 2º da ESO D e do 4º B da nossa escola participaram na exposição de trabalhos (cujo tema era a Lusofonia Musical) a propósito da comemoração do Dia da Língua Portuguesa que decorreu no auditório do CPR (Centro de Profesores y Recursos) em Badajoz.
Este é o blog de português do IES Rodriguez Moñino de Badajoz! Aqui podes encontrar muitas atividades e iniciativas da relacionadas com a disciplina de língua portuguesa na nossa escola. Segue-nos através deste espaço!
quinta-feira, 11 de maio de 2017
Dia da Língua Portuguesa, 5 de maio
A comemoração do Dia da Língua Portuguesa e das Culturas da CPLP (Comunidades dos Países de Língua Portuguesa) deve-se também ao número de alunos espalhados pelo mundo que aprendem a falar português. É o que comprova o vídeo que a seguir publicamos.
terça-feira, 2 de maio de 2017
Entrevista a Gonçalo Cadilhe pelos alunos de "2º Bachillerato para a revista educativa “Moñino Times” do IES Rodríguez Moñino de Badajoz
Entrevista elaborada, pelos alunos
de 2ºBachillerato da disciplina de Português do IES Rodríguez Moñino, para a revista educativa "Moñino Times" e um autêntico privilégio poder entrevistar um viajante e ser humano como o Gonçalo Cadilhe!
Entrevista:
Antes de mais, Gonçalo, queríamos agradecer-lhe a simpatia de nos
conceder esta entrevista para a edição nº11 da nossa revista “Moñino Times” e
dizer-lhe que foi com muito prazer que conhecemos a sua obra e ficámos
fascinados com uma biografia tão interessante. Gostávamos de saber o que é que
o motivou a começar a viajar?
É com muito prazer que partilho a
minha experiência convosco. O que me provavelmente me motivou a viajar foi a
possibilidade de poder viajar, é tão simples como isso. Acho que qualquer
pessoa normal, podendo viajar, põe-se a viajar. É uma daquelas coisas na vida
que é tão boa e tão aliciante que só mesmo alguém que não funciona bem ou que
sofre daquela doença que se chama agorafobia, que é o medo de sair dos lugares
conhecidos, só alguém que sofre dessa doença, é que não se põe a viajar. Estou a brincar, mas estou a falar a sério.
Portanto, sendo um habitante do mundo ocidental no século XX, era relativamente
fácil para mim pôr-me a viajar e foi isso que eu fiz. O que eu quero dizer com
isto é que se eu fosse um albanês ou um congolês, apesar de viver no século XX,
provavelmente nunca teria podido viajar. Da mesma maneira, se eu fosse um
europeu ou um português, mas do século XVIII ou XIX também teria sido muito
difícil pôr-me a viajar. Assim tive a sorte, o privilégio de nascer em Portugal
no final da década de sessenta, portanto, quando cheguei ao final dos anos
oitenta estava em plena maturidade e tive a liberdade de optar por dedicar o
melhor da minha energia e da minha conta bancária a viajar.
Para além desta razão que toca a
todos os ocidentais, que nasceram na segunda metade do século XX, há outra
questão mais concreta. Eu nasci e cresci numa cidade à beira-mar, que é a
Figueira da Foz, onde o surf é uma atividade praticada por bastantes pessoas
porque as ondas são de uma qualidade internacional. E eu cresci a contactar
surfistas da Austrália, da Califórnia, da África do Sul que vinham passar
algumas semanas à Figueira da Foz, fazia parte do itinerário que eles faziam no
seu “gap year”, no seu ano de volta ao mundo, que é uma espécie de ritual de
passagem destes jovens, sobretudo australianos. Enfim, é uma espécie de vírus
que me contagiou. Ao longo dos anos oitenta, quando eu tinha 15, 16, 17 anos,
sabia falar inglês, tinha aprendido na escola, portanto tinha facilidade em
comunicar com estes jovens que andavam em carrinhas pão de forma e que
compravam aqueles bilhetes de avião “Around World” válidos por um ano. Eles
viajavam em grupos de quatro, chegavam a Londres, fazia parte do itinerário
deles três meses na Europa, compravam uma carrinha combi “pão de forma” para
estarem os tais três meses na Europa a descer pela costa do Atlântico até
Marrocos, passavam umas semanas na Figueira da Foz, eu falava com eles, ficava
amigo e ficava a saber que existia esta ideia do “gap year” e dar a volta ao
mundo para fazer surf nas melhores ondas do planeta. Esta ideia nunca mais me
abandonou, portanto eu, assim que terminei o meu curso universitário, tinha
muito bem definida a prioridade, que não era arranjar emprego, era fazer esta
volta ao mundo. A realidade é que como tinha este talento para escrever e como
em Portugal havia muito poucas pessoas com conhecimento deste modo de vida, não
modo de vida, mas desta atividade. Eu tive essa vantagem competitiva de poder
transformar aquilo que para a maioria dos jovens australianos ou californianos
é quase uma atividade banal: dar uma volta ao mundo com uma mochila às costas
num certo momento da sua vida. Para mim, num país onde era quase totalmente
desconhecido, eu consegui fazer disto uma profissão.
De tantos lugares por onde andou, sem ter de pensar muito, qual foi
aquele que mais o marcou?
Seria injusto para mim estar a
escolher um país ou uma região em detrimento de outra porque efetivamente são
tantas as regiões e os países onde me senti muito bem e onde tenho regressado
ao longo dos anos, portanto aqui é importante dizer que eu nunca tive o
interesse de fazer aquela célebre lista de estar a marcar as cruzinhas nos
países onde já estive e ver quantas cruzinhas ainda faltam para completar a
lista. Nunca me interessei por fazer isso, portanto ficarei sempre com imensos
países por visitar e regresso regularmente aos países que gostei ou às cidades
que gostei. Posso dizer-vos que espero nunca ir ao Suriname, às Seychelles, à
Arábia Saudita ou ao Dubai, são países que não me interessam, acho nunca irei
lá e pelo contrário espero regressar muitas vezes na vida a Veneza.
De certeza que já experimentou muitos tipos de gastronomia. Qual foi a
mais apetitosa? E de qual não guarda boas recordações?
Sobre a gastronomia posso-vos
dizer que viajando como eu viajo em regime, que hoje se chama “low cost”, mas
que há uns anos atrás era o chamado regime “pé descalço” (mochila às costas a
tentar gastar o mínimo possível), quando se falava em gastronomia eu ria-me
sempre. A minha gastronomia é aquela do
autocarro que passa pela tasca e pára 40 minutos para os passageiros almoçarem.
Come-se o prato do dia e o melhor é nem saber o que é, para não perder o
apetite. Também me estou a lembrar de um livro muito engraçado, para quem gosta
de viajar, de um autor australiano que se chama Peter Moore, e o título do
livro é “No shitting in the toilet”. É um livro que conta histórias absurdas de
quem anda a viajar pelo mundo e na contracapa podem ler esta observação curiosa
que diz assim: “Há duas coisas no mundo que vocês nunca irão querer observar,
uma é os vossos pais a terem sexo e a outra é a cozinha do restaurante indiano
onde acabaram de almoçar”. Isto dá-vos bem a ideia do tipo de situações em que
eu geralmente me encontro quando tenho as minhas refeições de mochila às costas
a viajar pelo mundo, portanto quando me falam de gastronomia eu realmente não
tenho muito a acrescentar sobre essa situação. A minha gastronomia preferida é
quando eu não sei o que é que estive a comer e quando eu não vejo a cozinha do
restaurante ou tasca onde acabei de comer a minha refeição.
Para uma pessoa que já deu a volta ao mundo, podia partilhar connosco
um acontecimento divertido que se lembre?
Tudo me faz rir depois de ter
passado pelas coisas. Há um acontecimento divertido que eu descrevo no “Planisfério
Pessoal” que tem a ver com a forma como nós criamos uma ideia do mundo a partir
dos telejornais e depois quando chegamos lá, ao mundo, percebemos que tudo são
clichés e os telejornais, na sua necessidade de simplificar a realidade,
criam-nos uma ideia do mundo completamente errada. Então há esta situação que
eu conto no livro “Planisfério Pessoal” em que eu atravesso o Afeganistão com
um inglês, que acabo de conhecer na fronteira do Paquistão, Peshawar. Eu tinha
decidido atravessar o Afeganistão vestido como um afegão, ou seja, andava há
várias semanas a deixar crescer o cabelo e a barba, tinha comprado aquelas
camisas saiote que chegam até aos tornozelos, que se chama “chaleur camise”,
enquanto que esse inglês tinha dois metros de altura, era louro, olhos azuis,
sardento, achou que ia manter-se em jeans e t-shirt. Portanto quando andávamos
os dois no Afeganistão ele era obviamente identificado como americano e eu
passava despercebido, ninguém reparava que o português era um afegão. Claro que
eu não sabia falar a língua, se me perguntassem alguma coisa percebiam que eu
não sabia falar, quanto muito, imaginariam que eu era mudo, mas ninguém
compreendia que eu não era afegão. Esta situação era muito divertida, eu andava
sempre vinte metros atrás desse meu amigo Cliffort, se lhe deitassem uma
granada eu sempre tinha 20 metros de distância e tinha mais hipóteses de
sobreviver. Eu dizia-lhe isto e ele ficava furioso. Esta situação já era
divertida, mas a verdade é que, depois de sairmos do Afeganistão, entrámos no
Irão e eu continuei durante as primeiras horas vestido como um pastor afegão e
ele continuou vestido com os seus jeans e t-shirt e depois apanhámos o comboio
da noite que saía da fronteira do Irão para a capital, para Teerão, e pelas
notícias eu continuava a achar que o Irão era um país como o Afeganistão cheio
de terroristas e fundamentalistas. Portanto, o comboio da noite chega ao centro
de Teerão, lá saímos os dois da estação de comboio e de repente eu estou numa
capital que podia ser a capital de qualquer país do Ocidente, ou seja, no meio de pessoas de fato e gravata com as
suas pastas e computadores a irem para o emprego, a apanharem táxi, e agora era
ao contrário: era eu que estava vestido como um pastor afegão no meio de uma
das capitais mais cosmopolitas e avançadas do Médio Oriente e o Cliffort vinte
metros atrás de mim a rir e a ter a certeza que ninguém imaginava que ele
estivesse a viajar comigo e eu a fazer a
figura de pastor afegão sozinho na capital do Irão.
É importante a
simplicidade da bagagem para viajar ou faz-lhe falta muita coisa?
Claro que é muito importante o
pragmatismo, porque se nós começarmos a pensar no que faz falta na bagagem,
então faz-nos sempre falta qualquer coisa que nunca veio, é como a farmácia e
os medicamentos. Levamos sempre os medicamentos todos menos aquele que
precisamos. Quanto à questão da mochila, desde que existem as lojas dos
chineses nunca há nada que nos falte que não possa ser comprada na esquina mais
próxima onde se encontra uma loja de chineses e estão em todo o mundo, até no
Zimbabwe onde praticamente o Mogabe deu cabo do sistema monetário. O segredo da
mochila é mesmo que ela seja leve, que proteja as nossas costas com uma ótima
armação. Isto é muito importante quando andamos a viajar não apenas um par de
dias ou de semanas, mas quando andamos a viajar vários meses. Na minha opinião,
a mochila deve levar, continuo a acreditar que a informação cultural é a melhor
ferramenta e a melhor chave para fazer a diferença no viajante. Aquilo que eu
acho que devemos levar na mochila é mesmo um bom livro para percebermos a
realidade do país que estamos a atravessar. Um bom livro que faça uma
perspetiva histórica, ou seja, através da conversa com o passageiro no assento
ao lado nós conseguimos perceber muito bem a realidade atual do país onde nós
estamos nomeadamente, não digo tanto a política, mas sim o sentido de humor, os
costumes, os gostos e os hábitos, desde como é que se escolhe uma noiva até
qual é a equipa de futebol mais querida da população, todas essas coisas. E
isso está muito bem para uma conversa com o passageiro do lado. Agora para
perceber o enquadramento histórico, perceber como é que o país chegou àquilo
que é hoje, tem que ser um bom livro e portanto penso que é para isso que serve
a mochila hoje em dia. Em relação a roupa e pasta de dentes, e essas coisas,
mudando de país e de clima, de hábitos morais, saímos de uma Tailândia em que
podemos andar de camisola de cava e calções e vamos para um país como o Paquistão
onde as pessoas são extremamente sensíveis à pele descoberta e temos que andar
vestidos para cobrir tudo. Todas essas mudanças não têm que ir dentro da
mochila, vai-se a loja dos chineses e compra-se aquilo que é necessário para o
novo país, ou se vamos do Laos, que é um país tropical, para o Nepal, que é um
país frio nos Himalaias, essas coisas vão-se ajustando, vão-se comprando. A
mochila serve apenas para levar o essencial e o essencial tem a ver com aquilo
que se vai comprando e que depois se vai deitando fora ou oferecendo, tem a ver
com aquilo que nos serve para nos preparar culturalmente para a próxima etapa.
Um viajante conhece muito bem o conceito de fronteira e o Gonçalo é
disso um excelente exemplo. Por isso não podemos deixar de lhe perguntar como é
que vê este presente tão carregado de ideias de construção de muros entre
países e a necessidade de cada vez mais se controlarem as fronteiras?
Paradoxalmente neste mundo que
cada vez mais constrói fronteiras e muros e cada vez dificulta mais a viagem,
no meu caso concreto de viajante profissional que descreve o que vê, esta
situação para a qual caminhamos pode ser vista como uma oportunidade
profissional, pois o que deu a fama aos grandes viajantes, através da história,
foi precisamente essa vantagem competitiva de irem onde mais ninguém ia. Pensem
no caso do Marco Polo, talvez o mais emblemático dos viajantes, mas, se
quisermos ficar pela história de Portugal o caso do Fernão Mendes Pinto, foi
precisamente o facto de escrever, descrever e partilharem aquilo que tinham
visto para que os outros que não viajavam também o pudessem ver através das
palavras que eles deixaram, o que os tornou famosos e, se quisermos, que fez
com que os livros vendessem tanto. No mundo onde toda a gente pode viajar, eu
questiono qual é a função do escritor de viagens, torna-se obsoleta. Portanto,
se o mundo torna a fechar as suas fronteiras e se apenas poucos continuam a
viajar, esses poucos têm outra vez uma missão importante que é a de
transmitirem àqueles que não viajam o que é que existe pelo outro lado,
portanto parece-me que, em termos profissionais, vejo um futuro risonho com as
ideias do Senhor Trump e de todos os seus seguidores e defensores que
proliferam pelo mundo. Pode ser que a minha conta bancária de escritor de
viagens comece a ter números verdes, comece a sair do vermelho. Estou a brincar!
Nem tanto...
Tem viajado muito por Espanha? Conhece a nossa região, a Extremadura, e
o que pensa da nossa cumplicidade raiana com o seu país, ao ponto que cada vez
há mais gente interessada na língua e na cultura portuguesa?
Não tenho viajado muito por
Espanha, tenho aproveitado, sempre que atravesso Espanha para parar. É um país
que admiro imenso, é um país que considero exemplar, gostaria que Portugal
aprendesse muito mais com Espanha do que aquilo que tem aprendido.
Lamentavelmente os portugueses têm muitos preconceitos e têm muita inveja e o
complexo do irmão mais novo, costumo eu dizer, em relação a Espanha.
Infelizmente há também muita falta de comunicação entre Portugal e Espanha,
aliás, vê-se que as povoações de fronteira em Portugal têm mais contactos com
Espanha e vê-se logo que há uma maneira diferente na forma como lidam com os
seus centros históricos, como utilizam os bares e os espaços comuns para criar
uma ligação entre a população. Acho que Portugal tem muito a aprender com
Espanha, também acho que devia haver uma forma de governação mais alargada.
Digamos que sou um iberista embora não tenha ideias muito claras sobre o que é
que quero dizer com isso, mas acho que faria mais sentido a Península Ibérica
pensar-se como uma região inteira em vez de criar muros, que é o que os
discursos nacionalistas sempre têm feito ao longo dos séculos. Acho que hoje em
dia, com o peso da história que temos para trás, não há perigo nenhum em cair
numa conversa de perda de independência ou de identidade ou identidades
nacionais estão perfeitamente consolidadas, portanto podemos perfeitamente
avançar para uma identidade, um tipo de governação mais ibérica e menos
nacionalista. Em relação ao sul de Espanha, Extremadura, conheço a nível
profissional por causa do projeto Magalhães que viveu em Sevilha que saiu do
porto de São Brás de Barrameda, conheço essas zonas. Com o projeto Santo
António é provável que ele também tenha viajado através da rota almóada e
almorávida, pelo sul de Espanha, também voltei a fazer essa zona. Há uns anos
atrás também escrevi uma reportagem sobre os “pueblos blancos”, também tive a
possibilidade de conhecer relativamente bem Ronda e os “pueblos blancos”. Não
conheço o litoral mediterrânico, nunca me interessei muito. Acho muito
interessante a paisagem do interior e espero, quando tiver possibilidade de
viajar quer a nível profissional, quer a nível mais lúdico e de férias, poder
fazê-lo. Mas Espanha é um bocadinho como Portugal para mim. É uma realidade tão
próxima que eu tenho sempre aquela tentação de dizer “tenho sempre tempo” e vou
adiando e vou pensando aqueles países mais distantes e mais complicados a nível
logístico e a nível físico, sei lá Filipinas, o fuso horário e as condições de
vida são duras e então enquanto sou jovem vou apostando nestes destinos mais
distantes e depois, quando for velhinho, vou-me ocupar mais de Portugal e de
Espanha, vou pensado nisto. Não é propriamente a estratégia mais correta porque
recordo sempre esta história que vem descrita.
Se eu tivesse primeiro visitado as cidades originais
construídas em Espanha, se calhar não teria ficado tão fascinado pelos modelos
replicados na América pelos espanhóis e que hoje são conhecidas como as cidades
coloniais americanas, uma delas é Jaca que é património Unesco, e que são
extraordinárias, de facto só podem ser compreendidas depois de enquadradas
dentro do seu modelo original.
Para um homem que decidiu estudar “os passos de S. António”, o que é
que pensa do nosso “Caminho de Santiago”, esse património de peregrinação da
cultura espanhola e cada vez mais internacionalizado? Já alguma vez o fez ou
pensa fazer?
Eu nunca percorri os caminhos de
Santiago, tenho feito trekking em todo o mundo e para mim é uma atividade
extraordinária a possibilidade de sermos autónomos e distantes do meio urbano
ou cada vez mais a humanidade se concentra nas cidades e, infelizmente nas
grandes cidades, portanto esta possibilidade de regressar durante uns dias à
nossa condição original de seres rodeados da natureza é extraordinária, é muito
importante. Tenho viajado e visitado países como por exemplo a Nova Zelândia,
África do Sul onde o trekking é uma atividade corriqueira, onde todos os
cidadãos estão habituados a fazer trekking e os países estão extremamente bem
apetrechados com percursos de trekking para todos os tipos de dificuldade e de
empenho. Eu admiro muito a mentalidade dos australianos dos neozelandeses dos
americanos e dos ingleses, claro, a origem de todos estes países
anglo-saxónicos que praticam regularmente estas atividades que chama de
outdoors. Tenho sempre uma grande tristeza por ver os países do sul da Europa,
nomeadamente Portugal e Espanha, mas agora refiro-me concretamente a Portugal,
talvez pelo excesso de sol porque têm sempre bom tempo nunca valorizam essa
possibilidade de ir apanhar sol que no fundo foi essa a origem da atividade de
outdoor. Pensem no clima inglês, aqueles desgraçados sempre que têm um dia de
sol vão aproveitá-lo e nós temos sempre sol nunca valorizamos. Esta atividade
de trekking de andar de mochila às costas pela natureza tem vindo lentamente,
nos últimos anos, a ser também apreciada pelos italianos com os Alpes e os
Apeninos que têm percursos maravilhosos
pelos espanhóis pelos portugueses muito, muito lentamente. Os caminhos de
Santiago, creio, têm tido um papel importantíssimo nisso, não tanto pelos
caminhos em si, porque de facto não são assim nada de extraordinário em termos
de contacto com a natureza , em termos da transmissão desse sentimento de
regresso às origens, mas são importantes porque transmitem o à-vontade, o
gosto. Isso é uma espécie de iniciação a mais trekking e mais vontade de
outdoors, enfim a esse mundo da caminhada livre com a mochila às costas que é
tão comum nessas culturas, nessas mentalidades que eu tanto admiro. Portanto,
esperemos que caminhos ligados a uma peregrinação religiosa que hoje em dia é
quase anacrónica na Península Ibérica, em Portugal e Espanha, a atividade do
trekking tem cada vez mais adeptos e com isso também as autoridades, as
entidades públicas apetrechem cada vez mais os nossos parque naturais e os
nossos espaços verdes, as nossas montanhas, os nossos territórios que ainda se
encontram intactos para que os portugueses e os espanhóis possam regressar ao
seu estado primordial de homens e as mulheres da natureza.
Caríssimo Gonçalo Cadilhe, em nosso nome e em nome de toda a comunidade
educativa do IES Rodríguez Moñino de Badajoz, queremos expressar-lhe a nossa
gratidão por conceder-nos esta entrevista e despedimo-nos com o desejo de
muitas mais viagens, sendo que, aqui nesta escola raiana, o Gonçalo pode ter a
certeza de encontrar um porto seguro. Muito obrigado!
Obrigado a vocês por se terem interessado pelo meu percurso,
pelo meu trabalho. Até uma próxima oportunidade.
Entrevista elaborada por:
Ismael García, Noelia Cabrera, Esmeralda
Sánchez, Isabel Cadenas, Alejandro Bautista, Manuel Rodríguez, Paula Barragán,
Melissa de Sousa, Rocío Vila, Mª Elena García, Marta Gijón, Javier González,
Raquel González, Paz Morales, Sergio Vital (2ºBachillerato de PL2)
quinta-feira, 6 de abril de 2017
Critérios de Avaliação do Trabalho: O meu desportista favorito!
Agora vamos marcar uma data para a entrega do trabalho de
avaliação “O meu desportista favorito”. Após a marcação da data, tens de
cumprir com a sua entrega no dia acordado previamente. A não entrega do
trabalho supõe teres um zero na avaliação.
Presta atenção aos critérios de avaliação do trabalho:
- Tens de usar o formato e estrutura entregue pelo teu
professor – 2p;
- O trabalho tem de ser entregue com limpeza e boa
apresentação. Tens de usar uma caligrafia adequada e de tamanho médio (nem
demasiado grande, nem pequena) – 3p;
- Tens de colar uma imagem a cores no espaço identificado
para tal fim – 2p;
- Não podes ter erros ortográficos, tens de saber usar
maiúsculas e minúsculas e a informação sobre o desportista tem de ser coerente
e estar de acordo com o que te é pedido – 2p;
- O teu trabalho tem de estar identificado com o teu nome,
apelido e turma no final da folha A4 – 1p.
Sugestões para fazeres o teu trabalho e teres uma boa nota:
Vai à internet e utiliza do motor de busca www.google.pt, se
necessário, clica em “páginas em português”. Escreve o nome do teu desportista
favorito e procura tudo o que possa ser útil para fazeres um excelente trabalho.
Aproveita para estudares português e teres uma boa nota! Está nas tuas mãos a
responsabilidade de teres boa nota! Bom trabalho!
As Palavras Derivadas: Prefixação e Sufixação
Aqui tens um brevíssimo esquema sobre as palavras derivadas por prefixação e por sufixação. É um tema muito fácil mas para o qual nunca é demais uma boa organização esquemática do nosso estudo.
Aproveita este recurso do nosso blog para complementar a informação do teu livro de português.
quarta-feira, 5 de abril de 2017
"Burguesinha" - Seu Jorge
Podíamos organizar vários programas de rádio só com as músicas que ouvimos e ficamos a conhecer na aula de português!
Este é um bom, e cheio de ritmo, exemplo de uma excelente canção do Seu Jorge! Vamos ouvir e conhecer esta "Burguesinha"!
terça-feira, 4 de abril de 2017
"VEM DANCAR KUDURO" - LUCENZO feat BIG ALI
O que é o Kuduro?
O Kuduro é um género musical e
sobretudo um género de dança originário de Angola, que foi influenciado por outros
géneros como Sungura e Rap.
Recentemente, o Kuduro
tornou-se um fenómeno musical em todos os países de língua portuguesa, assim
como em outras partes do mundo.
Origem do Kuduro?
O kuduro surge em finais dos
anos 80, primeiro como uma dança e com o passar do tempo evoluindo para um
género musical, estilo house africano em que se mistura elementos electrónicos
com o folclore tradicional, feito pelo povo mais pobre de Luanda e com os meios
precários que dispunham. A musica é peculiar no uso de breaks e funk muito
utilizados nos anos 80 para criar melodias, mas utilizando loops e letras
explícitas, que acabam por ser um reflexo de boa parte da população.
O nome da dança referia-se a
um movimento peculiar em que os dançarinos parecem ter a "bunda
dura", simulando uma forma agressiva e agitada de dançar como os golpes de
Van Damme. Segundo Tony Amado, auto-proclamado criador do Kuduro e conhecido como
o "Rei do Kuduro", a ideia da dança surgiu depois de ver o filme de
Jean Claude Van Damme, “Kickboxer” (1989), em que o actor aparece num bar, todo
bêbado, a dançar com um estilo muito rijo e pouco habitual para aquela época.
O que é que caracteriza o
Kuduro?
As letras caracterizam-se pela
sua simplicidade e humor. São geralmente escritas em português, e muitas vezes
com algum vocabulário de línguas angolanas como, por exemplo, Umbundo Tshokwe
Luvale Kikongo e kimbundo), tais como as musicas Da Dombolo, de Dj SL.
Actualmente o Kuduro tem sido
modernizado, com novas danças. Novas batidas e grupos musicais criando uma
figura e representação próprias (...).
Fonte: Wikipédia
segunda-feira, 3 de abril de 2017
MINICONTOS/MICROCONTOS - 2ºBachillerato da Disciplina de Português (2016-2017)
“Os prados são vermelhos. As
folhas são cinzentas. As maçãs são pretas. Em Eurasia não há verde. Em Eurasia
só há “fracking”, indústria e polução. O verde nunca existiu”.
Ismael García Cáceres
“A Maria era feliz porque
no seu aniversário o seu namorado
oferecia flores.
Mas a Maria nunca era capaz de receber.
Caíram sempre numa pedra que tinha um
nome escrito ‘Maria’”.
“A gargalhada de uma criança
é sempre boa. Expeto quando
são três da manhã e não
tens nenhuma criança.”
“Era um homem que dizia que escrevera o melhor livro do
mundo.
Perguntam-lhe e ele deu um papel com
uma frase escrita. A frase dizia: ‘o melhor livro do
mundo’”.
Paz Morales
“‘Parkinson’: Uma nova técnica de esfumar desenhos”.
“A arte do
sapateado: é uma nova técnica de pisar uvas”.
Raquel González Rodríguez
Uma mulher termina de
trabalhar depois das dez horas, chega a casa, vai ao frigorífico, não há
comida, senta-se no sofá, morre de fome.
Marta Gijón
“Se tudo o que sobe, desce,
então por que é que a chuva que cai do céu, fica sempre cá em baixo?”
Manuel Rodríguez
“O menino pergunto à sua mãe:
tens medo da morte ou dos fantasmas? E a mãe disse: -Não, o teu pai tornou-se
fantasma. Eu sou o lugar onde ele aparece”.
Paula Barragán Márquez
“Amava essa rosa. Adorava-a.
Decidiu levá-la consigo e arrancou-a. Amou-a em solidão”.
“A primeira vez que me
apaixonei foi quando nasci”.
Isabel Cadenas Urquía
“Ele gostava dela quando
estava ébria, pois assim ela não lhe mentia”.
Esmeralda Sánchez Barrantes
“ ‘Não encontrei melhor idade
para apaixonar-me’ – Disse a menina
quando conheceu o seu primeiro
cavalo”.
“Todo o mundo está a falar de
beleza e ninguém o tinha visto sorrir”.
María Elena García Rojas.
“Estava ali sozinho.
Ouviu alguma coisa no
corredor.
Quando se apercebeu, eram
muitos
zombies que estavam a correr.
De repente, deligou o alarme/despertador.
Era hora de ir à escola”.
Noelia Cabrera.
“Eles tinham algo de outro
planeta
e mudaram-se para Marte”.
“Não encontrava a sua meia
laranja e apaixonou-se por uma pêra”.
Rocío Vila M.
“Mãe, a forma como me cuidas e
amas é tão única... Nos teus braços é onde me sinto protegida. Quando me
perguntarem a tua idade, direi «para sempre».
Amo-te”.
Melissa de Sousa Couto.
“Ele é um homem que corria a
última corrida do mundial. Ele finalizou em primeiro lugar, ganhou o mundial e
retirou-se. Ele já fez tudo”.
“Microconto, esse pequeno
relato em palavras onde tu queres mostrar a imensidade da tua mente”.
Sergio Vital
“Esta é a história duma banana
que de prata não era, mas de ouro parecia. Ela era rica”
Alejandro Bautista Alfonso
quinta-feira, 30 de março de 2017
"Senna" - Um documentário "motorizado"
Sabes que o melhor piloto de Fórmula 1 da história falava português? Sabes quem era? Se não sabes, vai poder conhecer a sua biografia neste excelente, e premiado, documentário bilingue (português e inglês). É o documentário adequado para terminarmos a unidade dos meios de transporte e das perífrases úteis! Vais ver!
Mas antes disso, e de veres o trailer, lê este pequeno texto.
"Senna é a história verídica da lenda brasileira da Fórmula 1, Ayrton Senna, considerado por muitos como o melhor piloto de todos os tempos. Abordando a titânica trajectória de Senna na Fórmula 1, este documentário retrata a sua viagem física e espiritual, para bem e para mal, tal como a sua busca da perfeição e a sua transformação definitiva de principiante dotado a mito deste desporto motorizado."
Senta-te confortavelmente e aproveita para aprenderes português com esta biografia bastante interessante!
"DESFADO" - Ana Moura
Aqui temos a Ana Moura a cantar o tema "Desfado", ao vivo, no programa "5 Para a Meia Noite" (21/11/2012). Este "Desfado" é uma letra e música de Pedro da Silva Martins e é um grande exemplo destas novas grerações que levam o género do Fado além fronteiras e, talvez, além do seu próprio género musical!
Aproveita e fica a conhecer mais coisas sobre a Ana Moura, uma grande artista também conhecida como "a menina bonita do fado"!
quarta-feira, 29 de março de 2017
Aqui temos o 2°ESO A, a receberem o cheque-prenda oferecido pelo IES Rodríguez Moñino na Livraria Zurbarán
O esforço e a dedicação devem ser recompensados, e assim foi com a turma de português do 2°ESO A que participaram na «Passagem de Modelos» organizada pelo Departamento de Português e pela Direção do IES Rodríguez Moñino, no passado dia 22 de março de 2017.
Parabéns amigos, é graças a vocês que somos uma «Escola Viva».
segunda-feira, 27 de março de 2017
"História" - Diogo Piçarra
Uma história quase sempre tem um princípio e um fim, mesmo que seja contada com recursos típicos da estrutura da narrativa como a analepse, ou, usando o inglês, "flashback". Isto é, uma técnica narrativa que consiste em relatar acontecimentos anteriores ao tempo presente da história ou mesmo anteriores ao início da ação.
Já conheces o Diogo Piçarra, mas será que conheces esta sua história?
quinta-feira, 23 de março de 2017
"Só vou pensar em ti" - Edmundo Vieira
Usa sempre todos os meios disponíveis que tenhas para aprender. Neste caso é uma língua estrangeira e sabes bem que ouvir música é uma forma relaxada (e excelente!) de aprenderes vocabulário e expressões em português!
Apresentamos-te o Edmundo Vieira com esta canção "Só vou pensar em ti". Fica a sugestão!
Conheces Lisboa? (#ShareLisboa)
Conheces Lisboa? Já visitaste a "cidade das sete colinas"? Quase de certeza que sim, se não aproveita este video para fazeres uma rápida visita turística a esta cidade fantástica onde podes aproveitar para praticares os teus conhecimentos de língua portuguesa!
Como diz este video, conhece Lisboa e "partilha Lisboa"!
Atividade: No teu caderno faz, enumerando, uma lista com vários locais que devemos visitar quando formos à capital de Portugal!
"Haja o que houver! - Madredeus
Os "Madredeus" são um dos grupos mais importantes da história da música em português. Esta canção, "Haja o que houver", é um excelente oportunidade pedagógica para introduzir conceitos de funcionamento da língua tão importantes como o presente e o futuro do modo conjuntivo, para além de ter uma música e letra lindíssimas que nos convida a relaxar e a apreciar o nosso tempo.
Esta é uma atividade contra o "Vírus da Pressa" que estamos a trabalhar nas nossas aulas.
Aproveita e conhece mais músicas deste grupo. São ótimas para uma "playlist" de retorno à calma!
quarta-feira, 22 de março de 2017
Os Super-Heróis da Turma de 2ºESO B
Todos diferentes mas todos iguais em imaginação! Aqui temos exemplos de grande criatividade da turma de 2ºESO B de português que criou uma autêntica "Liga de Super-Heróis"! Parabéns a todos!
“Os Gatos Não Têm Vertigens” com a presença de António-Pedro Vasconcelos na nossa escola (17/III/2017)
Texto
de agradecimento do Departamento:
“Vivemos sem pedir
licença” é um bonito verso do nosso convidado especial, um verso tão amplo como
o seu percurso intelectual e humano, tão bem evidenciado pelos trabalhos da
turma de 1ºBachillerato.
Portanto, queridos
amigos, é evidente que hoje vivemos um dia especial na nossa escola secundária
e esperamos que esse sentimento se estenda a todos os assistentes.
Como profissionais da
língua de Camões, sabemos que o António-Pedro Vasconcelos é o melhor exemplo que
vos podemos dar como oportunidade pedagógica de português europeu através da
sétima arte. Porém amigos, apesar do nosso desejo que falem e escrevam com
altíssimo nível a língua que vos ensinamos, a obra de A-PV é mais do que isso.
É valor, coragem, civismo e uma cidadania consciente da necessidade de saber
dizer “não”.
É urgente espírito
crítico. É urgente, nesta sociedade de consumo rápido de tudo, desde a comida
aos valores, relembrar o ideal da escola pública, isto é, formar seres humanos
com a esperança dum futuro melhor através da educação. E é por este motivo que
nos atrevemos a transmitir-vos, independentemente da língua veicular, a viverem
sem pedir licença, a lutarem pela vossa realização pessoal nesta época tão
importante das vossas vidas que é a adolescência a passar a fronteira para o
país dos adultos.
Em nome do departamento
de português, o nosso mais sincero obrigado ao António-Pedro Vasconcelos e à
Biblioteca Pública de Badajoz, por todo o apoio, mas também a vocês, alunos de
português, sem os quais seria impossível dinamizar este evento. A vocês que já
são o futuro!
segunda-feira, 13 de março de 2017
domingo, 12 de março de 2017
Reconocido director de cine portugués, António-Pedro Vasconcelos, presenta película en Badajoz
"El día 17 de marzo, a las 11:00 horas, el
director de cine portugués Antonio Pedro Vasconcelos presentará en la
Biblioteca Pública "Bartolomé Gallardo" de Badajoz, su película “Los
gatos no tienen vértigo” que narra la insólita relación que se crea entre un
adolescente, proveniente de una familia desestructurada, y una simpática
anciana que acabe en enviudar y que ha perdido todas sus referencias. Después
de la proyección habrá un coloquio con el director. La actividad ha sido
organizada por el Departamento de Portugués del IES Rodríguez Moñino con motivo
de la semana cultural del centro.
Antonio-Pedro Vasconcelos es uno de los
directores más representativos de la cinematografía actual portuguesa. También
es escritor, guionista, periodista, crítico, productor de cine y ha actuado en
varios largometrajes.
En los años 60 fue estudiante de la
Licenciatura Superior de Filmografía de la Universidad Paris IV, donde vivió de
cerca el nacimiento de la “Nouvalle Vague”, la creación de la Cinemateca Francesa
y el trabajo fundamental de los críticos de los “Cahiers du Cinéma”. Fue uno de
los fundadores del “Centro Português de Cinema”, organismo creado por varios
cineastas ligados al llamado “cine nuevo” portugués. Algunas de sus películas
han obtenido reconocimiento internacional como es el caso de “Jaime” (1999)
premiada con la Concha de Plata del Festival de Cine de San Sebastián."
Subscrever:
Mensagens (Atom)






