sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

NATAL UP-TO-DATE de DAVID MOURÃO-FERREIRA



NATAL UP-TO-DATE

 Em vez da consoada há um baile de máscara
Na filial do Banco erigiu-se um Presépio
Todos estes pastores são jovens tecnocratas
Que usarão dominó já na próxima década
Chega o rei do petróleo a fingir de Rei Mago
Chega o rei do barulho e conserva-se mudo
Enquanto se não sabe ao certo o resultado
Dos que vêm sondar a reacção do público
Nas palhas do curral ocultam microfones
O lajedo em redor é de pedras da lua
Rainhas de beleza hão-de vir de helicóptero
E é provável até que se apresentem nuas
Eis que surge no céu a estrela prometida
Mas é para apontar mais um supermercado
Onde se vende pão transformado em cinza
Para que o ritual seja mais rápido
Assim a noite se passa. E passa tão depressa
Que a meia-noite em vós nem se demora um pouco
Só Jesus no entanto é que não comparece
Só Jesus afinal não quer nada convosco.
 DAVID MOURÃO-FERREIRA

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

"All I Want For Christmas Is You" (Tudo o que quero para o Natal és tu!) (Versão de Karaoke da música da Mariah Carey)

Música de Natal da Rádio Comercial (2014)

Eis a música de Natal de 2014 de uma das rádios mais famosas de Portugal, a Rádio Comercial! Inclui a história do nascimento do menino, o sorriso inesquecível de uma menina e a Taylor Swift da Moita (uma localidade portuguesa a sul de Lisboa)! Diverte-te com a equipa da Rádio Comercial!!! 

Letra: Vasco Palmeirim & Nuno Markl com Nuno Gonçalo/ Música: Taylor Swift

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

"História Trágica com Final Feliz". Uma curta metragem de animação de Regina Pessoa


Sinopse: Há pessoas que são diferentes. E tudo o que desejam é ser iguais aos outros, misturar-se na multidão. Há quem passe o resto da vida lutando para conseguir isso, negando ou tentando abafar essa diferença. Outros assumem-na e dessa forma elevam-se, conseguindo assim um lugar …no coração.



Transcrição do texto narrativo do filme

Era uma vez uma menina cujo coração batia mais rápido que o das outras pessoas. Isso incomodava toda a gente por causa do barulho. O coração batia tão alto! 

Ela tentava explicar: “É um coração de pássaro, eu estou no corpo errado! daí o coração bater tão rápido. Eu sou um pássaro..."

 -Que é que ela disse?

- É tolinha, não deve durar muito…”

 Então, ela fugia. Ela só queria desaparecer, deixar-se levar pelo vento. Finalmente, a chuva acalmava-a, então ela voltava para casa e continuava a viver, apesar de tudo.

 Pouco a pouco as pessoas foram-se habituando ao barulho do coração. Acabaram mesmo por esquecê-la.

 Ninguém se apercebeu do que se passava e isso era bom para ela. Também ela se habituava. Começou mesmo a gostar do seu corpo e sentia-se cada vez mais leve. Ninguém reparou como sorria, de olhos postos no céu. Até que um dia…

As pessoas já não sabiam se era alguém que morria, ou alguém que nascia, mas uma coisa era certa: ninguém se importaria de partir assim



Comentários da  realizadora   Regina Pessoa.

“Seguimos uma menina e descobrimos que ela não é igual às outras pessoas, é "diferente". O traço que a faz diferir não só incomoda a comunidade a que pertence, como se traduz por um profundo sofrimento individual. A comunidade e a menina reagem à diferença, a primeira manifestando a sua intolerância, a segunda isolando-se. Com o tempo, a comunidade acaba por habituar-se insensivelmente à presença da diferença, distanciando-a, mas ao mesmo tempo integrando-a na voragem do seu quotidiano.



Porém as diferenças existem, persistem e são irredutíveis. Certas vezes possuem razão de ser e correspondem a estados temporários de trânsito para outros estados de existência, certas vezes são fatais... Seja como for, devem ser assumidas por quem as vive para a levarem a um melhor conhecimento de si própria e a uma mais intensa consciência do mundo”


Informação retirada do sítio ciclopefilms.com




quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Concurso Internacional de Leitura (CIL)

Divulgação das obras de leitura obrigatória para a 1ª fase do Concurso (Prova da Escola /Instituto) para apurar o vencedor. 

Livros de leitura:


  • "O Caderno Vermelho da Rapariga Karateca" de Ana Pessoa. 





  • " O Bojador" de Sophia de Mello Breyner Andresen. Este livro encontra-se numa versão online. Podes ler, clicando sobre a  imagem. 
 


Boas leituras!

O Natal em palavras.

O Natal é... 
(definição de Natal da turma de 4º de ESO B e C).






O Natal é...
(definição de Natal da turma de 4º de ESO A/D)


quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

O Natal é "Quando um Homem Quiser"

"Quando um Homem Quiser" é uma canção interpretada por Paulo de Carvalho, a letra é da autoria de Ary dos Santos (poeta português) e a música de Fernando Tordo. 




quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Clandestinos do Amor

"Clandestinos do Amor" é um tema original do filme "Os Gatos Não Têm Vertigens". É uma canção da autoria de António-Pedro Vasconcelos, o realizador deste grande filme, e interpretado pela fadista Ana Moura. 


quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Um anúncio de Natal

Edeka, a maior rede de supermercados da Alemanha, lançou um anúncio comovente para esta quadra festiva: o Natal. 

Clica na imagem e e vê com atenção.



quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Os Géneros do Mundo do Cinema


Estória do Gato e da Lua, um filme (curtametragem) de Pedro Serrazina

"É urgente o amor" escreveu o poeta Eugenio de Andrade num famoso poema.
  Hoje partilhamos convosco  um  filme de amor ou de desamor, depende do ponto de vista com que o interpretemos. Neste caso, não é um amor urgente  mas tal vez seja irracional.
Contudo, alguém pode pensar que há  qualquer coisa de racional no amor ?

Estória do Gato e da Lua, um filme de Pedro Serrazina

Sinopse: Um poema. Uma estória feita de silêncio e de cumplicidade. Luz e sombra, o apelo da noite, a lua como paixão… Esta é a estória de quem tentou tornar o sonho realidade, a estória do gato e da lua.
Ficha Técnica:
Realização: Pedro Serrazina
Argumento: Pedro Serrazina
Produtor: Jorge Neves
Ano: 1994
Género: Animação
Duração: 5’24
Elenco:
Joaquim de Almeida (Voz do Gato)

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

"Carteiro em Bicicleta" de João Afonso (Com os alunos do IES Rodríguez M...

João Afonso em Badajoz (Video elaborado pelos alunos de 4ºB)

Obrigado João (e a todos que tenho que agradecer...)







Obrigado João (e a todos que tenho que agradecer...) 25/XI/2015

Lembro-me quando descobri que a família Afonso não se esgotava no gesto de fidelidade e inconformismo de quem não esquece Abril. Era adolescente, como a maioria dos que estão nesta sala, e também eu procurava um lugar no mundo. Hoje sei que o João Afonso é tão meu como o Zeca foi, e é, dos meus pais.

Tive a sorte de crescer com esta banda sonora familiar de dignidade pela condição humana. Fui um jovem de “Missangas”, naveguei num “Barco Voador”, encontrei em “Zanzibar” as amizades de sempre, descobri o lado agridoce de ter uma “Outra Vida” (e uma outra língua) e, ultimamente, chego à conclusão que “Sangue Bom” é esse sangue arraçado que não conhece fronteiras porque nas veias só se leva a geografia dos afectos.

Vivemos tempos desalmados. A música do João tem alma e faz deste mundo um melhor sítio para sermos pessoas. O sentido que tenho da vida ao som da sua voz leva-me para essas pequenas grandes coisas: um café, a caruma dos pinhais de maresia, um burro, uma viola e um cão convertidos num abraço peregrino na paz de Santiago.

Contar com o João Afonso aqui é poder dizer aos meus filhos (e talvez a alguns dos meus alunos) que mesmo que naufraguemos das estrelas sempre teremos o barco voador das nossas infâncias para nos socorrer.

Tenho a esperança que, hoje, nesta sala que em Badajoz fala português, fique algo mais que a língua da lusofonia. Que fique um pedaço de tempo feito semente de que vale a pena sonhar…

Luis Leal

Problema de homens- Crónica de José Saramago com motivo do Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres


Problemas de homens

Vejo nas sondagens que a violência contra as mulheres é o assunto número catorze nas preocupações dos espanhóis, apesar de que todos os meses se contem pelos dedos, e desgraçadamente faltam dedos, as mulheres assassinadas por aqueles que crêem ser seus donos. Vejo também que a sociedade, na publicidade institucional e em distintas iniciativas cívicas, assume, é certo que só pouco a pouco, que esta violência é um problema dos homens e que os homens têm de resolver. De Sevilha e da Estremadura espanhola chegaram-nos, há tempos, notícias de um bom exemplo: manifestações de homens contra a violência. Até agora eram somente as mulheres quem saía à praça pública a protestar contra os contínuos maus tratos sofridos às mãos dos maridos e companheiros (companheiros, triste ironia esta), e que, a par de em muitíssimos casos tomarem aspectos de fria e deliberada tortura, não recuam perante o assassínio, o estrangulamento, a punhalada, a degolação, o ácido, o fogo. A violência desde sempre exercida sobre a mulher encontrou no cárcere em que se transformou o lugar de coabitação (neguemo-nos a chamar-lhe lar) o espaço por excelência para a humilhação diária, para o espancamento habitual, para a crueldade psicológica como instrumento de domínio. É o problema das mulheres, diz-se, e isso não é verdade. O problema é dos homens, do egoísmo dos homens, do doentio sentimento possessivo dos homens, da poltronaria dos homens, essa miserável cobardia que os autoriza a usar a força contra um ser fisicamente mais débil e a quem foi reduzida sistematicamente a capacidade de resistência psíquica. Há poucos dias, em Huelva, cumprindo as regras habituais dos mais velhos, vários adolescentes de treze e catorze anos violaram uma rapariga da mesma idade e com uma deficiência psíquica, talvez por pensarem que tinham direito ao crime e à violência. Direito a usar o que consideravam seu. Este novo acto de violência de género, mais os que se produziram neste fim-de-semana, em Madrid uma menina assassinada, em Toledo uma mulher de trinta e três anos morta diante da sua filha de seis, deveriam ter feito sair os homens à rua. Talvez 100 000 homens, só homens, nada mais que homens, manifestando-se nas ruas, enquanto as mulheres, nos passeios, lhes lançariam flores, este poderia ser o sinal de que a sociedade necessita para combater, desde o seu próprio interior e sem demora, esta vergonha insuportável. E para que a violência de género, com resultado de morte ou não, passe a ser uma das primeiras dores e preocupações dos cidadãos. É um sonho, é um dever. Pode não ser uma utopia.
No O Caderno 2, 27 de julho de 2009