quarta-feira, 14 de outubro de 2015

"Quem és tu miúda?" - Os Azeitonas

“Quem és tu miúda?” é uma canção dos "Azeitonas", um grupo de música pop português, e de certeza que vai ser muito útil para o início desta nova unidade! Presta atenção e tenta descobrir qual é o seu assunto!

Cantiga dos Ais de Armindo Mendes de Carvalho. Novelista, poeta e dramaturgo (1927-1988)


Uma poesia carregada de crítica social e ironia que nos fará sorrir. Magnífica interpretação do ator Mário Viegas.




CANTIGA DOS AIS de Armindo Mendes de Carvalho (1927/1988)

Os ais de todos os dias,
os ais de todas as noites.
Ais do fado e do folclore,
o ai do ó ai ó linda.

Os ais que vêm do peito,
ai pobre dele, coitado
que tão cedo se finou!

Os ais que vêm da alma.
Ais d’ amor e de comédia,
ai pobre da rapariga
que se deixou enganar…
ai a dor daquela mãe.

Os ais que vêm do sexo,
os ais do prazer na cama.
Os ais da pobre senhora
agarrada ao travesseiro
ai que saudades, saudades,
os ais tão cheios de luto
da viúva inconsolável.
Ai pobre daquele velhinho:
_ai que saudades menina,
ai a velhice é tão triste.

Os ais do rico e do pobre
ai o espinho da rosa
os ais do António Nobre.
Ais do peito e da poesia
e os ais de outras coisas mais.
Ai a dor que tenho aqui,
ai o gajo também é,
ai a vida que tu levas,
ai tu não faças asneiras,
ai mulher és o demónio,
ai que terrível tragédia,
ai a culpa é do António!

Ai os ais de tanta gente…
ai que já é dia oito
ai o que vai ser de nós.

E os ais dos liriquistas
a chorar compreensão?
ai que vontade de rir.

E os ais de D. Dinis
Ai Deus e u é…

Triste de quem der um ai
sem achar eco em ninguém.
Os ais da vida e da morte
Ai os ais deste país…

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

“Carta a Josefa, minha avó” (1968) de José Saramago



 
 
No ano de 1968, José Saramago publicou no jornal A Capital, de Lisboa, a crónica Carta a Josefa, minha avó. Anos mais tarde, ela seria publicada no livro Deste Mundo e do Outro.
Esta é uma das crónicas mais emotivas deste escritor português, que ganhou o Premio Nobel de Literatura. Está dedicada à avó dele. Vale a pena lê-la e recordar que os avós atesouram uma experiência e conhecimentos que devemos respeitar e aproveitar.
 
Carta para Josefa, minha avó
Tens noventa anos. És velha, dolorida. Dizes-me que foste a mais bela rapariga do teu tempo — e eu acredito. Não sabes ler. Tens as mãos grossas e deformadas, os pés encortiçados. Carregaste à cabeça toneladas de restolho e lenha, albufeiras de água.
Viste nascer o sol todos os dias. De todo o pão que amassaste se faria um banquete universal. Criaste pessoas e gado, meteste os bácoros na tua própria cama quando o frio ameaçava gelá-los. Contaste-me histórias de aparições e lobisomens, velhas questões de família, um crime de morte. Trave da tua casa, lume da tua lareira — sete vezes engravidaste, sete vezes deste à luz.
Não sabes nada do mundo. Não entendes de política, nem de economia, nem de literatura, nem de filosofia, nem de religião. Herdaste umas centenas de palavras práticas, um vocabulário elementar. Com  isto viveste e vais vivendo. És sensível às catástrofes e também aos casos de rua, aos casamentos de princesas e ao roubo dos coelhos da vizinha. Tens grandes ódios por motivos de que já perdeste lembrança, grandes dedicações que assentam em coisa nenhuma. Vives. Para ti, a palavra Vietname é apenas um som bárbaro que não condiz com o teu círculo de légua e meia de raio. Da fome sabes alguma coisa: já viste uma bandeira negra içada na torre da igreja.(Contaste-mo tu, ou terei sonhado que o contavas?)
Transportas contigo o teu pequeno casulo de interesses. E, no entanto, tens os olhos claros e és alegre. O teu riso é como um foguete de cores. Como tu, não vi rir ninguém. Estou diante de ti, e não entendo. Sou da tua carne e do teu sangue, mas não entendo. Vieste a este mundo e não curaste de saber o que é o mundo. Chegas ao fim da vida, e o mundo ainda é, para ti, o que era quando nasceste: uma interrogação, um mistério inacessível, uma coisa que não faz parte da tua herança: quinhentas palavras, um quintal a que em cinco minutos se dá a volta, uma casa de telha-vã e chão de barro. Aperto a tua mão calosa, passo a minha mão pela tua face enrugada e pelos teus cabelos brancos, partidos pelo peso dos carregos — e continuo a não entender. Foste bela, dizes, e bem vejo que és inteligente. Por que foi então que te roubaram o mundo? Quem to roubou? Mas disto talvez entenda eu, e dir-te-ia o como, o porquê e o quando se soubesse escolher das minhas inumeráveis palavras as que tu pudesses compreender. Já não vale a pena. O mundo continuará sem ti — e sem mim. Não teremos dito um ao outro o que mais importava. Não teremos, realmente? Eu não te terei dado, porque as minhas palavras não são as tuas, o mundo que te era devido. Fico com esta culpa de que me não acusas — e isso ainda é pior. Mas porquê, avó, por que te sentas tu na soleira da tua porta, aberta para a noite estrelada e imensa, para o céu de que nada sabes e por onde nunca viajarás, para o silêncio dos campos e das árvores assombradas, e dizes, com a tranquila serenidade dos teus noventa anos e o fogo da tua adolescência nunca perdida: «O mundo é tão bonito, e eu tenho tanta pena de morrer!»
É isto que eu não entendo — mas a culpa não é tua.
 
 
Podem encontrar esta crónica na web da Fundação Saramago

 

 


terça-feira, 29 de setembro de 2015

"A Tourada" de Fernando Tordo interpretada pelos "A Naifa"

Mais do que uma canção sobre o mundo da tauromaquia, esta música de Fernando Tordo (interpretada neste video pelos "A Naifa") foi uma crítica mordaz ao regime ditatorial que Portugal vivia no início dos anos 70. 
Presta bem atenção à sua letra e ao seu vocabulário!

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

O dia Mundial sem Carros. Um bom motivo para andar de bicicleta





O dia 22 de setembro é a data marcada para comemorar  mundialmente "o Dia sem Carros", celebração inserida na Semana da Mobilidade de 2015. Este é um bom momento para refletirmos sobre a importância do uso da bicicleta e o seu impacto positivo no meio ambiente. Se escolhermos ir a pé ou andar de bicicleta, ajudaremos  na luta contra as alterações climáticas que estão a dar cabo do planeta. Deixo-vos este vídeo, feito no Brasil, através do qual poderemos  aprender um pouco mais sobre a importância desta comemoração.

Felizmente há muitos alunos e professores que já  se deslocam habitualmente a pé ou de bicicleta.  Aproveitem que as duas rodas estão na moda ! Eu também adoro pedalar e sempre uso a minha querida bicicleta  pasteleira ( tipo de  bicicleta antiga e pesada) na cidade.

Boas pedaladas !

domingo, 20 de setembro de 2015

Verbos - Presente do Indicativo/Pretérito Perfeito Simples (Apêndice Gramatical do livro "Português XXI" I da Lidel)

Atenção! Esta lista de verbos irregulares tem de estar decorada (que também significa memorizada) na tua cabeça! Vai haver um teste sobre esta matéria! Aprende-a!Lembra-te que a única maneira de aprenderes os verbos irregulares, de qualquer tempo e de qualquer língua, é através de um milagre ao acesso de todos: "O MILAGRE DO ESTUDO"! Estuda-os! Quem te avisa, teu amigo é!

"O Inventor" - Heróis do Mar

Vê e ouve com atenção este video com a música "o Inventor" dos Heróis do Mar. No teu caderno, faz uma lista com os nomes,geografia, ou eventos históricos que conheces. O título pode ser: "Tempestade de Referências"
Diverte-te a aprender! 

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

"Caminho para a escola" - Trailer Oficial Espanhol (2015) HD (Sugestão do Prof. Adolfo)

Uma sugestão de início de ano lectivo do nosso professor Adolfo, que nos faz pensar que este direito de "ir à escola" que, felizmente, temos, para outras crianças e jovens é um privilégio. Que ajudemos a que ninguém perca este direito de "ir à escola", livre e promotora de uma sociedade mais justa! Que dêmos o nosso melhor por estes que não têm o mesmo acesso à igualdade de oportunidades...