segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

“A Esperança Está Onde Menos Se Espera” - Resumo do filme português de Joaquim Leitão

Lourenço Figueiredo é um jovem adolescente, de 15 anos de idade, como todos os outros. Estuda, convive com os amigos, faz parte de uma banda musical e tem os problemas normais da "idade do armário". O pai, Francisco Figueiredo, é um reputado treinador de futebol em topo de carreira, com o seu clube Padoense na final da Taça de Portugal, o que lhe permite proporcionar à esposa, Helena Figueiredo, e ao filho um nível de vida acima da média. A família de Lourenço vive numa moradia de luxo em Cascais, onde ele estuda num dos colégios privados mais prestigiados de Portugal, sendo também um dos melhores alunos deste.
Porém, nesse ano, quando o clube treinado por Francisco, após ganhar todas as competições até então, perde a final da Taça de Portugal, o presidente do Padoense decide despedir Francisco, pois o jogo estava viciado para que a equipa treinada por Francisco conseguisse um penálti que ajudaria à vitória. A atitude honesta e honrosa de Francisco ao decidir mandar o seu jogador falhar a grande penalidade não é recompensada pelo mundo do futebol e ele fica desempregado.
Francisco entra em desespero pois, sendo este a única fonte de rendimentos da família, vê-se numa situação de crise nunca antes vista. A primeira decisão que toma é a de colocar Lourenço a estudar numa escola oficial do ensino público.
A escola oficial para onde Lourenço vai situava-se perto dum dos bairros mais problemáticos dos arredores de Lisboa, a Cova da Moura, e a maioria dos seus alunos provinha desse mesmo bairro. No primeiro dia de aulas na escola nova, Lourenço é alvo de bullying por saltar à vista que provinha de um meio completamente diferente. Inclusive à saída da escola é assaltado, ficando sem telemóvel, relógio e sapatos, tudo de marca. No entanto, um dos jovens do bairro, o Mané (irmão da irreverente Kátia), aceita-o bem.
A mãe do Lourenço, não conformada com o novo ambiente em que o filho está inserido, tenta por tudo conseguir um emprego para poder a sustentar os estudos do filho, enquanto o marido não tem trabalho. Mas a sua inexperiência profissional e baixas qualificações académicas não lhe permitem encontrar empregos compatíveis para colocar a família na situação financeira que se encontrava antes.
Após Helena contar a situação à sua melhor amiga, esta convence-a a emigrar com ela para Angola, pois aí poderia ajudá-la a conseguir um bom emprego. Ela aceita, dizendo a Francisco que se vai embora, acusando-o de irresponsável e, que quando juntasse uma boa quantia, regressaria e, recomeçaria uma vida nova com o filho, a sós.
Pai e filho passam a viver sozinhos e as dificuldades financeiras cada vez apertam mais. Francisco vende o seu carro para poder aguentar os tempos mais próximos mas não dará para muito tempo. Entretanto, o Lourenço vai-se adaptando ao ambiente da nova escola e vai travando amizade com Mané o que vai fazendo com que seja, aos poucos, bem aceite na comunidade do bairro.
O Francisco, no desespero, acaba por pedir emprego como empregado de mesa num restaurante de luxo perto de casa e do seu amigo Marinho. Nesse local depara-se com um o presidente do clube onde estava e o seu antigo agente. Não conseguindo conter a agride-os física e verbalmente. O dono do restaurante despede-o pois acabara de perder dois dos seus melhores clientes.
Para poder continuar a sustentar o filho, Francisco vende quase todos os valores que tinha em casa, ficando apenas com o mínimo. Entretanto, um aviso do banco chega, dizendo que, por atraso do pagamento das prestações da casa, poderão ser despejados. O antigo treinador de futebol agora passa os dias a ver filmagens que tinha gravado quando Lourenço era pequeno e o tinha ensinado a jogar à bola. Isto leva-o a um colapso nervoso, ficando desorientado e sem conseguir falar. É o início da depressão de Francisco Figueiredo.
Lourenço está cada vez mais inserido no meio do bairro onde se situa a escola. Inclusive afasta-se dos seus antigos amigos do colégio privado. Aos poucos vai-se aproximando de Kátia. Numa noite em que Lourenço sai à noite com Kátia, Mané e mais dois membros da comunidade do bairro, encontra numa discoteca os seus antigos amigos. Lourenço prefere estar com os novos amigos e, como ambos os grupos não se entendem, forma-se uma rixa em plena discoteca. O Lourenço fica do lado dos novos amigos.
Nessa noite, regressando à Cova da Moura, a PSP aí realiza uma rusga. Lourenço e Kátia conseguem fugir, abrigando-se num esconderijo perto do bairro que Kátia conhecia. Os dois dão o primeiro beijo e começam a namorar. Lourenço desabafa com Kátia sobre o problema do seu pai e ela não fica indiferente. No entanto, Helena, em Angola, informa que dentro em breve regressará para dar ao filho a vida que lhe tinha prometido; o Lourenço recusa, dizendo que gosta bastante do novo meio onde está inserido.
Entretanto é dada a ordem de despejo da casa da família em Cascais, por incumprimento do empréstimo ao banco. A única alternativa será Francisco e Lourenço irem viver para uma casa que Mané e Kátia disponibilizam no bairro social. Francisco é bem recebido pela comunidade e vai dar um passeio com o filho para conhecer o bairro. Nesse passeio Francisco recupera a fala.
A família volta a encontrar a esperança num projecto social para a integração dos jovens do bairro, através da formação de uma equipa de futebol com os mesmos. A equipa ganha notoriedade com o Mané e o Lourenço como jogadores e Francisco como treinador principal. Francisco volta a ser convidado de novo para treinar um grande clube de futebol, mas recusa, dizendo que onde está se sente muito bem.

Estas quatro personagens são um exemplo que apesar das circunstâncias e do meio onde vivemos há que lutar para manter viva a esperança. 

"A ESPERANÇA ESTÁ ONDE MENOS SE ESPERA" - Filme de Joaquim Leitão

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

O Cante Alentejano


O Alentejo é uma região de Portugal com a qual a Extremadura espanhola faz fronteira. É aqui mesmo ao lado e é uma região cheia de cultura e tradições que valem a pena conhecer!

De certeza que já conheces muitas cidades alentejanas como Elvas, Évora, Beja ou Portalegre! Provavelmente conheces muitos dos seus pratos típicos e doces tradicionais como a “carne de porco à Alentejana”, as “migas à Alentejana” ou a “serradura” ou a “siricaia”! Mas será que sabes o que é o Cante Alentejano? 
O que é o “Cante Alentejano”?
O Cante Alentejano é um género musical tradicional do Alentejo, uma região de Portugal.
É um canto coral, polifónico, à capela no qual temos um ponto, que é quem começa o tema a sós, um alto, que é a voz que pega no tema iniciado pelo ponto, e o coro, que são todas as restantes vozes.
O Cante é um género cujos temas se chamam modas e há muitas! Mas o mais interessante é que, no dia 27 de Novembro de 2014, a UNESCO considerou o Cante Alentejano como Património Cultural Imaterial da Humanidade, tal como outros géneros que bem conheces como o Flamenco, o Tango ou o Fado!


a) Agora, com a tua turma, aprende a “Moda do Assobio” e diverte-te! De certeza que a vais cantar bem!

Exposição do 4º B/C/D: "Saramago - Um escritor é um homem como os outros: sonha."

Após alguns excertos da obra “Ensaio sobre a cegueira”, e o visionamento do filme homónimo baseado na obra do Nobel da literatura portuguesa José Saramago, os alunos de 4º da ESO de português decidiram conhecer melhor a figura de Saramago e organizaram uma exposição de citações deste grande escritor! Hoje inauguram a mesma e todos estão de parabéns!





A nossa equipa de trabalho no Irmanamento Rio de Janeiro/Badajoz (3ºA/B/C/D)



segunda-feira, 24 de novembro de 2014

As fotos da nossa video-conferência!!! Que fixe foi estar com os nossos colegas do outro lado do Atlântico!

Estas são as fotos da nossa video-conferência na passada quarta-feira, dia 19 de novembro, com os nossos amigos do colégio hispano-brasileiro João Cabral de Melo Neto do Rio de Janeiro! 
Obrigado professora Raquel (pela reportagem fotográfica). Agora já só falta publicar as fotos da professora Catarina!


















quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Os sinais de pontuação e a família Simpson!

Lembras-te dos sinais de pontuação? Isto é só uma revisão que vale a pena prestar atenção:
(!)- Eu sou o ponto de exclamação!
(?)- Eu sou o ponto de interrogação!
(,)- Eu sou a virgula e esta é o meu primo (;) o ponto e virgula!
(-) - Eu sou um travessão!
(.)- Eu sou um ponto final. Também posso ser ponto final parágrafo quando num texto marco a mudança de parágrafo. Depois dum parágrafo o texto começa noutra linha!
(...)- Eu sou as reticências e deixo muito por dizer!
 
Lembras-te deste texto? Tu conhece-lo bem!
Eu tenho uma família grande e engraçada. Somos muitos de ambos os lados da família, mas eu estou mais próximo do lado materno da minha família porque vivemos todos em Springfield.
Eu vivo com o meu pai e com a minha mãe e também com as minhas irmãs mais novas, a Lisa e a Maggie. Gostava de ter um irmão mais velho, do tipo do Krusty, o palhaço! Seria altamente!!! 
Apenas tenho uma avó, do lado da minha mãe, a minha avó Jackie, e um avô, que é o meu avô Abraham, pai do meu pai. 
Também tenho alguns tios. Tenho no total um tio e duas tias que eu conheço! Mas, como podem imaginar, tenho no total dezasseis primos, sete são rapazes e nove raparigas, mas a maioria eu não conheço porque são primos afastados. Eu brinco muito com a minha prima Ling.
Eu adoro a minha família, apesar dos meus pais me ralharem muito, somos uma família unida e divertida! Não a trocava por nenhuma outra família! Nem do “Family Guy”, nem do “South Park”, nem do Bob Esponja, enfim, não a trocava por nenhuma. Ou talvez trocasse o meu pai Homer…

Ensaio sobre a Cegueira, o livro de José Saramago

Excerto do livro que deu origem ao filme com o mesmo nome: Ensaio sobre a Cegueira


"O disco amarelo iluminou-se. Dois dos automóveis da frente aceleraram antes que o sinal vermelho aparecesse. Na passadeira de peões surgiu o desenho do homem verde. A gente que esperava começou a atravessar a rua pisando as faixas brancas pintadas na capa negra do asfalto, não há nada que menos se pareça com uma zebra, porém assim lhe chamam. Os automobilistas, impacientes, com o pé no pedal da embreagem, mantinham em tensão os carros, avançando, recuando, como cavalos nervosos que sentissem vir no ar a chibata. Os peões já acabaram de passar, mas o sinal de caminho livre para os carros vai tardar ainda alguns segundos, há quem sustente que esta demora, aparentemente tão insignificante, se a multiplicarmos pelos milhares de semáforos existentes na cidade e pelas mudanças sucessivas das três cores de cada um, é uma das causas mais consideráveis dos engorgitamentos da circulação automóvel, ou engarrafamentos, se quisermos usar o termo corrente.

O sinal verde acendeu-se enfim, bruscamente os carros arrancaram, mas logo se notou que não tinham arrancado todos por igual. O primeiro da fila do meio está parado, deve haver ali um problema mecanico qualquer, o acelerador solto, a alavanca da caixa de velocidades que se encravou, ou uma avaria do sistema
hidráulico, blocagem dos travões, falha do circuito eléctrico, se é que não se lhe acabou simplesmente a gasolina, não seria a primeira vez que se dava o caso. O novo ajuntamento de peões que está a formar-se nos passeios vê o condutor do automóvel imobilizado a esbracejar por trás do pára-brisas, enquanto os carros atrás dele buzinam frenéticos. Alguns condutores já saltaram para a rua, dispostos a empurrar o automóvel empanado para onde não fique a estorvar o trânsito, batem furiosamente nos vidros fechados, o homem que está lá dentro vira a cabeça para eles, a um lado, a outro, vê-se que grita qualquer coisa, pelos movimentos da boca percebe-se que repete uma palavra, uma não, duas, assim é realmente, consoante se vai ficar a saber quando alguém, enfim, conseguir abrir uma porta, Estou cego. 

Ninguém o diria. Apreciados como neste momento é possível, apenas de relance, os olhos do homem parecem sãos, a íris apresenta-se nítida, luminosa, a esclerótica branca, compacta como porcelana. As pálpebras arregaladas, a pele crispada da cara, as sobrancelhas de repente revoltas, tudo isso, qualquer o pode verificar, é que se descompôs pela angústia. Num movimento rápido, o que estava à vista desapareceu atrás dos punhos fechados do homem, como se ele ainda quisesse reter no interior do cérebro a última imagem recolhida, uma luz vermelha, redonda, num semáforo. Estou cego, estou cego, repetia com desespero enquanto o ajudavam a sair do carro, e as lágrimas, rompendo, tornaram mais brilhantes os olhos que ele dizia estarem mortos. Isso passa, vai ver que isso passa, às vezes são nervos, disse uma mulher. O semáforo já tinha mudado de cor, alguns transeuntes curiosos aproximavam-se do grupo, e os condutores lá de trás, que não sabiam o que estava a acontecer, protestavam contra o que julgavam ser um acidente de
transito vulgar, farol partido, guarda-lamas amolgado, nada que justificasse a confusão, Chamem a polícia, gritavam, tirem daí essa lata. O cego implorava, Por favor, alguém que me leve a casa. A mulher que falara de nervos foi de opinião que se devia chamar uma ambulancia, transportar o pobrezinho ao hospital, mas o
cego disse que isso não, não queria tanto, só pedia que o encaminhassem até à porta do prédio onde morava, Fica aqui muito perto, seria um grande favor que me faziam. E o carro, perguntou uma voz. Outra voz respondeu, A chave está no sítio, põe-se em cima do passeio. Não é preciso, interveio uma terceira voz, eu tomo conta do carro e acompanho este senhor a casa. Ouviram-se murmúrios de aprovação. O cego sentiu que o tomavam pelo braço, Venha, venha comigo, dizia-lhe a mesma voz. Ajudaram-no a sentar-se no lugar ao lado do condutor, puseram-lhe o cinto de segurança, Não vejo, não vejo, murmurava entre o choro, Diga-me onde mora, pediu o outro. Pelas janelas do carro espreitavam caras vorazes, gulosas da novidade. O cego ergueu as mãos diante dos olhos, moveu-as, Nada, é como se estivesse no meio de um nevoeiro, é como se tivesse caído num mar de leite. 

(...) 

Ao mover-se em direcção à sala de estar, e apesar da prudente lentidão com que avançava, deslizando a mão hesitante ao longo da parede, fez cair ao chão uma jarra de flores de que não estava à espera. Tinha-se esquecido dela, ou então fora a mulher que a deixara ali quando saiu para o emprego, com a intenção de colocá-la depois em lugar adequado. Baixou-se para avaliar a gravidade do desastre. A água espalhara-se pelo chão encerado. Quis recolher as flores, mas não pensou nos vidros partidos, uma lasca longa, finíssima, espetou-se-lhe num dedo, e ele tornou a lacrimejar de dor, de abandono, como uma criança, cego de brancura no meio duma casa que, com o declinar da tarde, já começava a escurecer. Sem largar as flores, sentindo o sangue a escorrer, torceu-se todo para tirar o lenço do bolso e, como pôde, envolveu o dedo. Depois, apalpando, tropeçando, contornando os móveis, pisando cautelosamente para não enfiar os pés nos tapetes, alcançou o sofá onde ele e a mulher viam a televisão. Sentou-se, pôs as flores em cima das pernas, e, com muito cuidado, desenrolou o lenço. O sangue, pegajoso ao tacto, perturbou-o, pensou que devia ser porque não podia vê-lo, o seu sangue tornara-se numa viscosidade sem cor, em algo de certo modo alheio que apesar disso lhe pertencia, mas como uma ameaça de si contra si mesmo."